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SESC SÃO PAULO REALIZA A EXPOSIÇÃO “LEVANTES”,

EM PARCERIA COM O INSTITUTO CULTURAL JEU DE PAUME, DE PARIS, E CURADORIA DO FILÓSOFO E HISTORIADOR DA ARTE GEORGES DIDI-HUBERMAN

Em cartaz até 28 de janeiro de 2018, a exposição idealizada pelo Jeu de Paume é composta por cerca de 200 obras, entre instalações, pinturas, fotografias, documentos, vídeos e filmes contemporâneos que apresenta as diferentes formas de representação dos levantes.

A palestra “Imagens e Sons como forma de luta” apresentada pelo curador francês, Georges Didi-Huberman, também integra a programação, no dia 17 de outubro, no Teatro Paulo Autran, às 20h no Sesc Pinheiros.

Com ênfase em referências relacionadas à insurgência como expressão artística e social, a exposição “Levantes”, com abertura em 18 de outubro, às 20h, no Sesc Pinheiros, convida o público a uma reflexão sobre as manifestações populares por meio da arte. Organizada e idealizada pelo Jeu de Paume (histórica instituição que tradicionalmente acolhe exposições de arte e fotografia e situada no Jardim das Tulherias, em Paris) e realizada no Brasil pelo Sesc em São Paulo, em parceria com o Serviço de Cooperação e de Ação Cultural da Embaixada da França no Brasil (SCAC), a mostra conta  com curadoria de Georges Didi-Huberman, filósofo e historiador da arte que vem pela primeira vez a São Paulo e conta com inúmeros estudos e artigos científicos publicados que integram o currículo das principais escolas de Belas Artes de todo o mundo pelo menos há duas décadas.

 

Exposição Levantes - Curadoria de Georges Didi-Huberman

 

“Levantes” é uma exposição transdisciplinar sob a perspectiva das emoções coletivas, na qual estão presentes as diferentes formas de representação dos levantes, atos populares, políticos, engajados nas transformações sociais, nas revoltas e/ou revoluções. Os anseios, as forças da natureza, como movimento das dunas levadas pelo vento, os impulsos e gestos corpóreos, os testemunhos tratando daquilo que mobiliza a sublevar e a transformar são apresentados por meio de instalações, pinturas, fotografias, documentos, vídeos e filmes contemporâneos.

 

A partir das reproduções de fotografias de Marcel Duchamp, Man Ray, Cartier Bresson e Gilles Caron, dos textos de Marcel Foucault, Baudelaire e André Breton, das instalações de Lorna Simpson, dos vídeos de Allan Sekula, a poesia dos Manifestos Pau-Brasil e Antropofágico de Oswald de Andrade e do movimento dos parangolés de Hélio Oiticica, dentre outras obras, a exposição demonstra as múltiplas maneiras de transformar quietude em movimento, submissão em revolta, renúncia em alegria expansiva.

 

O curador propõe a divisão da mostra em cinco eixos, elementos, gestos, palavras, conflitos e desejos, descritos a seguir:

 

ELEMENTOS

 

Levantar-se, como quando se diz “o levantar de uma tempestade”. Revirar a gravidade que nos prende ao chão.  São as leis da atmosfera inteira que serão contrariadas.

Superfícies – lençóis, panos, bandeiras – que esvoaçam ao vento. Luzes que explodem como fogos de artifício. Poeira que sai das reentrâncias, se levanta. Tempo que se solta das amarras. Mundo de ponta-cabeça. De Victor Hugo a Eisenstein e além, os levantes serão frequentemente comparados a turbilhões e a grandes ondas que arrebentam, por ser quando os elementos (da história) se desencadeiam.

O levante se faz, de início, com o exercício da imaginação, mesmo em seus “caprichos” ou “disparates”, como dizia Goya.

A imaginação ergue montanhas. E quando nos levantamos diante de um “desastre” real, ou seja, daquilo que nos oprime, dos que querem tornar impossíveis os nossos movimentos, opomos a eles a resistência de forças que são antes de tudo desejos e imaginações, ou seja, forças psíquicas de  desencadeamento e de reaberturas de possibilidades.

 

GESTOS

 

Levantar-se é um gesto. Antes mesmo de começar e levar adiante uma “ação” voluntária e compartilhada, o levantar se faz por um simples gesto que, de repente, vem revirar a prostração que até então nos mantinha submissos (por covardia, cinismo ou desespero). Levantar-se é jogar longe o fardo que pesava sobre nossos ombros e entravava o movimento. É quebrar certo presente – mesmo que amarteladas, como queriam Friedrich Nietzsche e Antonin Artaud – e erguer os braços ao futuro que se abre. É um sinal de esperança e de resistência. É um gesto e uma emoção. Os republicanos espanhóis plenamente o assumiram, eles cuja cultura visual tinha sido formada por Goya e Picasso, mas também por todos os fotógrafos que registraram ao vivo os gestos dos prisioneiros libertados, dos combatentes voluntários, das crianças ou da famosa La Pasionaria Dolores Ibárruri. No gesto do levante, cada corpo protesta por meio de todos os seus membros, cada boca se abre e exclama o não da recusa e o sim do desejo.

 

PALAVRAS

 

Braços se ergueram, bocas exclamaram. Agora precisamos de palavras, frases para o dizer, o cantar, o pensar, o discutir, o imprimir, o transmitir. Por isso os poetas se situam “antes” da ação propriamente dita, como dizia Rimbaud nos tempos da Comuna. Atrás os românticos, à frente os dadaístas, surrealistas, letristas, situacionistas etc., que sustentaram poéticas insurreições.

“Poética” não quer dizer “longe da história”, muito pelo contrário. Há uma poesia dos folhetos, desde a folha de protesto escrita por Georg Büchner em 1834 até as resistências digitalizadas de hoje, passando por René Char em 1943 e os “cinétracts” (cine-panfletos) de 1968. Há poesias específicas do papel-jornal e das redes sociais. Há uma inteligência particular – atenta à forma – inerente aos livros de resistência ou de levantes. Até que as próprias paredes tomem a palavra e que esta ilustre o espaço público, espaço

sensível em sua totalidade.

 

CONFLITOS

 

Então tudo se inflama. Tem quem veja nisso apenas o puro caos. No entanto, outros veem surgir formas de um desejo de ser livre, formas de vida em comum durante as greves. Dizer “manifestamos” é constatar – mesmo com espanto, mesmo sem compreender – que algo surgiu, algo decisivo. Mas foipreciso um conflito. É um tema importante para a moderna pintura da história (de Manet a Polke) e para as artes visuais em geral (fotografia, cinema, vídeo, arte digital). Os levantes às vezes produzem apenas a imagem de imagens quebradas: vandalismos, um tipo de carnaval negativo. Mas a arquitetura

provisória dos levantes se constrói sobre essas ruínas: coisas paradoxais, moventes, feitas disso e daquilo, como as barricadas. Depois as autoridades reprimem a manifestação, quando já não resta aosmanifestantes nada além da forçado desejo (a força, não o poder). Por isso, na história, tantas pessoas morreram por terem se levantado.

 

DESEJOS

 

Mas a força sobrevive ao poder. Freud dizia que o desejo é indestrutível. Mesmo quem sabe estar condenado – nos campos de concentração, nas prisões – busca meios de transmitir um depoimento, um apelo. Foi o que Joan Miró quis mostrar numa série intitulada L’Espoirducondamné à mort [A esperança do condenado à morte], em homenagem ao estudante anarquista Salvador PuigAntich, executado pelo regime franquista em 1974.

Um levante pode acabar em lágrimas de mães chorando sobre os filhos mortos. Mas essas lágrimas não são de esgotamento: elas ainda podem ser força de sublevação, como nas “marchas de resistência” das mães e avós de Buenos Aires. São nossos próprios filhos em levante: Zero de conduta! E Antígona, afinal, não era quase uma criança? Seja na floresta do Chiapas, na fronteira greco-macedônica, em qualquer parte da China, no Egito, em Gaza ou na selva das redes da internet pensadas como um voxpopuli, sempre haverá uma criança que pule o muro.

 

Itinerante, Levantes foi criada peloJeu de Paume, com a condição de que cada cidade por onde passe tenha conteúdos locais adicionados. Nesse sentido, Didi-Huberman pediu que fosse incluída uma série de conteúdos que enfatizassem a escravidão, a negritude e a pobreza no Brasil, temas que estarão representados pela sensibilidade artística de Sebastião Salgado, Hélio Oiticica e Oswald de Andrade.

 

Com aproximadamente, 200 obras - várias delas inéditas no Brasil–a mostra conta compeças garimpadas em coleções espalhadas pelo mundo, fugindo de uma abordagem tradicionalmente eurocêntrica ou norte-americana. No conjunto, o acervo reunido exemplifica a visão ampla e panorâmica deDidi-Huberman.

 

Conferência de Georges Didi-Huberman – Imagens e Sons Como Forma de Luta

Não há levantes sem sons (músicas, hinos) e sem imagens. Eles são inventados e brandidos a qualquer custo, apesar das dificuldades a enfrentar. Esta palestra se propõe a abordar as dimensões estéticas das forças individuais e coletivas que são invocadas nos levantes. O que se busca chamar, nos diálogos aqui propostos, é aquilo que arde nas imagens surgidas desses acontecimentos. Nessa tentativa, procura-se resgatar diferentes gestos de insurgência que revoltam o mundo ou que contra ele se levantam. Impulsos que mobilizam ações e paixões, fulgurando-se numa constelação de obras por meio de imagens, palavras ou pensamentos.

 

Didi-Huberman não fará uma simples fala de abertura como curador. Como professor catedrático, ele dará uma aula magna sobre tudo que insurge, abordando o pensamento filosófico sobre sair do lugar-comum, algo que dialoga com o atual momento brasileiro. Nascido em Saint-Étienne (60 km ao sudeste de Lyon), em 1953, é um dos grandes intelectuais franceses de sua geração. Professor na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, é autor de dezenas de livros, cujas reflexões abrangem desde a filosofia da imagem à história da arte, passando pelo cinema e pela literatura.

 

Obras de Didi-Huberman em Português

 

Livros

O que vemos, O que nos Olha (editoras 34 e Dafne)

A Imagem Sobrevivente. História da Arte e Tempo dos Fantasmas Segundo AbyWarburg (editora Contraponto)

Imagens Apesar de Tudo (editora KKYM)

Ser Crânio. Lugar, Contato, Pensamento, Escultura (editora C/Arte)

Atlas ou a Gaia Ciência Inquieta (editoras KKYM + Eaum)

Sobrevivência dos Vaga-lumes (editora UFMG)

Falenas. Ensaios sobre a Aparição (editora KKYM)

Que Emoção! Que Emoção? (editora KKYM)

 

Ensaios

"Grisalha. Poeira e Poder do Tempo" (editora KKYM)

"O Anacronismo Fabrica História: Sobre a Inatualidade de Carl Einstein" (editora UFRGS)

"Ao Passo Ligeiro da Serva (Saber das Imagens, Saber Excêntrico)" (editora J.F Figueira)

"Luz contra Luz" (editora KKYM)

"Pensar Debruçado" (editora KKYM)

 

SERVIÇO:

Conferência de Georges Didi-Huberman – Imagens e Sons Como Forma de Luta

Quando: 17/10, às 20h

Local: Teatro Paulo Autran (1.010 lugares)

Ingresso: gratuito – retirada de ingressos a partir das 14h na bilheteria

Recomendação etária: livre

 

Exposição Levantes - Curadoria de Georges Didi-Huberman

Quando:

Abertura: 18/10, às 20h

Visitação: 19/10 a 28/01. Terça a sexta, das 10h30 às 21h30; sábados, das 10h30 às 21h; domingos e feriados, das 10h30 às 18h30

Local: Espaço Expositivo (2º andar)

Ingresso: gratuito

Recomendação etária: livre

 

SESC PINHEIROS

 

Endereço: Rua Paes Leme, 195.

Bilheteria: Terça a sábado das 10h às 21h. Domingos e feriados das 10h às 18h.

Tel.: 11 3095.9400.

Estacionamento com manobrista: Terça a sexta, das 7h às 21h30; Sábado, das 10h às 21h30; domingo e feriado, das 10h às 18h30. Taxas / veículos e motos: Credenciados plenos no Sesc: R$ 12 nas três primeiras horas e R$ 2 a cada hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 18nas três primeiras horas e R$ 3 a cada hora adicional. Para atividades no Teatro Paulo Autran, preço único: R$ 12 (credenciados plenos) e R$ 18 (não credenciados).

Transporte Público: Metrô Faria Lima – 500m / Estação Pinheiros – 800m

 

Assessoria de Imprensa

 

Baobá Comunicação

Alexandre Saldanha

Contatos: (11) 3482-2510

alexandre@baobacomunicacao.com.br

 

Sesc Pinheiros

Com Fernanda Monteiro e Vitor Penteado

Contatos: (11) 3095.9446

imprensa@pinheiros.sescsp.org.br

 

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